Ronda Rousey UFC

Um dos maiores nomes do MMA na atualidade, e atual campeã do peso-galo feminino do UFC, a americana Ronda Rousey, de 28 anos, escreveu uma longa declaração saindo em defesa do MMA, negando que o esporte seja “bárbaro ou brutal”. Em uma carta aberta ao popular tabloide australiano “The Herald Sun”, a americana chega a se emocionar, lembrando episódios tristes de sua vida, como o suicídio de seu pai, quando ela tinha apenas oito anos. Ronda ainda alega que começar a lutar salvou a sua vida. A americana lembrou de toda a sua trajetória como lutadora, começando como profissional e judô e depois se tornando o maior nome da história do MMA feminino.

Confira abaixo a declaração de Ronda na íntegra:

“Agosto de 2008, em Pequim, na China. Eu estava fazendo tudo que podia para quebrar o braço de uma mulher da Argélia que eu mal conhecia. Sendo uma judoca experiente, ela sabia que não havia nada que pudesse fazer para me parar e bateu na minha perna para sinalizar que tinha desistido. Eu ganhei a luta na minha rota para minha medalha de bronze olímpica. Fui a primeira mulher do meu país a conquistar uma medalha olímpica no esporte. Muitas pessoas me chamaram de “heroína americana” naquele dia. 
Fevereiro de 2013, em uma arena lotada na Califórnia. Eu estava fazendo tudo que podia para quebrar o braço de uma outra mulher que eu mal conhecia, chamada Liz Carmouche. Lutadora experiente, ela sabia que não havia nada que pudesse fazer para me parar e bateu na minha perna para sinalizar a derrota. Eu fui a primeira mulher a ganha um título do UFC. Muitos me chamaram de “bárbara” naquele dia. 

Eu sou uma lutadora, mas não uma pessoa violenta. Não gosto de machucar as pessoas. Se alguém se machuca, não é o objetivo das minhas ações – na verdade prefiro vencer sem ninguém se machucar. Mas as lesões fazem parte do meu negócio, assim como lesões no punho para pessoas que escrevem todos os dias para ganhar a vida. Por alguma razão eu nasci de uma mãe que foi campeã mundial de judô. Por alguma razão eu perdi meu pai por suicídio aos oito anos de idade. Eu carregava tanta tristeza, raiva e aversão a mim mesma, mas por algum motivo encontrei uma saída que me salvou. Lutando. 

Para mim, lutar não é uma exibição de brutalidade ou glorificação da violência. Lutar é uma metáfora para a vida. Todos que você encontra todos os dias estão lutando por alguma coisa, mas a vida é complicada e o motivo pelo qual está lutando muitas vezes não fica claro. 

Quando foi a última vez que algo áspero tocou sua pele? Quando foi a última vez que você teve que suportar uma temperatura desconfortável? Quando foi a última vez que você esteve em uma situação de alta pressão? Vivemos em uma época de tecidos macios, ar condicionado e troféus de participação. Todos nós temos a necessidade de sentir um pouco de desconforto para nos convencer que estamos acordados. Uma necessidade instintiva de nos beliscar como prova de que não estamos sonhando. Isso pode aparecer no modo de se sentar e assistir uma luta, ofegando, encolhendo, pulando, gritando e sentindo o seu coração torcendo para um lutador que, por algum motivo, você escolheu se identificar.

Lutar gera glória aos fãs. Quando estou no octógono, não estou pensando em machucar a pessoa que está na minha frente. Eu sou a solução dos problemas. O que poderiam estar pensando? O que eles sabem sobre mim? Como eles tentam resolver minhas coisas?  O que alguns chamam de esporte sangrento, eu chamo de jogo de altas apostas. 

De todas as coisas no mundo que eu tenho que dar conta sobre meu passado e futuro, a única que está na minha cabeça na hora da luta é o problema que estou tentando resolver. É uma fuga e uma saída para o artista, não uma briga. Não é brutalidade, é uma arte. É uma oportunidade para a coragem, um exercício de superação. E eu agradeço se você não me julgar por isso.”

Ronda Rousey escreve carta emocionante a jornal australiano defendendo o MMA
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